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S.S., 54, a recruiter from Rio de Janeiro, Brazil

“Corona virus tem sido um agente de muitas mudanças positivas na minha vida e agradeço a ele por isso. Hoje me importo muito mais com as pessoas ao meu redor e busco oportunidades de ajudá-las…”

Corona virus tem sido um agente de muitas mudanças positivas na minha vida e agradeço a ele por isso. Hoje me importo muito mais com as pessoas ao meu redor e busco oportunidades de ajudá-las. Estudo kabbalah ha 5 anos e usamos o termo ‘compartilhar’. Desde que o virus chegou, tenho compartilhado muito mais.

Desde 2007 trabalho em home office. E nao sou uma pessoa de sair muito. Entao a quarentena não tem sido um sofrimento. Me tornei menos consumista e descobri que isso é muito bom! Sempre atuei na causa animal e durante a quarentena observei com alegria muitas historias de adoções. Escolhi doar mais tempo para ajudar ONGs a encontrarem novos lares para os peludos. Fiquei com medo de engordar! Entao comecei a fazer jejum de 16 horas e, pra minha alegria, estou emagrecendo!

Minha mae e minha tia são idosas. Tenho ajudado muito a elas, fazendo as compras e pagamentos. No início fiquei tensa, porque era muita coisa pra fazer. Mas com o tempo tudo se ajustou e agora virou normalidade. Eu pensei que fosse aproveitar a quarentena para arrunar meus armários e fazer um detox na minha casa, doando muitos itens que não uso mais. Isso não se tornou realidade, assim como não li todos os livros que eu pretendia. Me dei varias broncas por isso, me coloquei de castigo, até me dar conta de que se não dá pra fazer tudo, vou fazer o que dá. E ficar feliz. Entao um dia arrumo uma gaveta, outro dia separo itens para doação, leio um pouco…. isso é novo pra mim e também agradeço ao virus por essa mudança. Interna.

Infelizmente o presidente do meu país ê despreparado para enfrentar essa pandemia e está tornando tudo muito mais difícil para o pais. Tem sido muito triste acompanhar as noticias de tantas pessoas morrendo. Meu receio é que após essa pandemia as pessoas voltem a ser como eram antes, que o mundo volte ao nivel de poluição e a desigualdade social aumente. Gostaria que a humanidade aproveitasse esse momento para expandir a consciência, tornando o mundo um lugar de paz, respeito e amor.

[submitted on 6/12/2020]

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A.H., 24, a student from Rio de Janeiro, Brazil

O que está acontecendo no mundo é horrível, mas, a nível pessoal, sinto que consegui reverter meu tempo para ser bastante produtiva e colocar esse momento ao meu favor. Talvez eu não consiga fazer meu mestrado, mas estou tentando não me preocupar com isso agora e tentando focar no meu momento presente e no que posso fazer durante esse tempo.

Sou estudante de Biologia na Universidade Federal Fluminense (UFF – presencial) e de Gestão Ambiental na Universidade Veiga de Almeida (UVA – EAD). Antes da quarentena começar eu havia me envolvido em diversas organizações e estava bastante atarefada com vários planos. Pretendia terminar a UFF no meio do ano e começar a estudar para a prova de mestrado que seria no final do ano, enquanto estudava para a UVA que só vai terminar no final de 2021. No entanto, com a quarentena, a UFF parou suas atividades e o período foi perdido. Devido às outras atividades com as quais eu estava envolvida, eu comecei a elaborar planos que se não fosse pela quarentena eu nunca seria capaz de colocar em prática. Estudando na UVA e participando de uma organização chamada AIESEC, eu pude ter acesso à diversas informações sobre estruturação de organização empresarial e tive a ideia de fundar uma Empresa júnior (EJ) no meu curso. A Biologia na UFF é um curso extremamente acadêmico e não tem absolutamente nada que remeta a profissão de biólogo ao mercado de trabalho (há um tempo que eu vinha me interessando por essa área, mas com pouco sucesso e me sentindo muito perdida). Com a bagagem que fui adquirindo poucos meses antes da quarentena ter seu início, eu fui capaz de desenvolver um projeto que está se perdurando ao longo desse período de distanciamento social e está dando super certo! Consegui juntar mais quatro amigos e, juntos, estamos estruturando toda a EJ, incluindo estatuto, valores, objetivos, missões. Nosso plano é aproveitar esse tempo de retenção para preparar tudo com bastante calma e atenção e deixá-la prontinha para, quando a vida retornar ao normal, a gente apresentar para o curso. Nosso intuito é abrir mais um caminho de oportunidades para estudantes que muitas vezes não conseguem se encontrar por não se identificarem com o mundo da academia, como eu, por exemplo, mas não terem as ferramentas para enxergar novos caminhos. Nós cinco estamos tendo tempo de fazer cursos, estudar e aprender muito sobre o que é uma Empresa e como dar início a ela, o que está sendo incrível. A quarentena tem sido um momento de grande oportunidade para a minha vida. Óbvio que nem tudo é um mar de rosas e sempre irão existir altos e baixos, mas eles também estão ali quando você está fora de casa, então não os atribuo à quarentena. Além disso, tenho usado esse tempo para me reconectar com partes minhas que eu havia perdido por conta do cotidiano, como desenhar, praticar yoga, entre outras. O que está acontecendo no mundo é horrível, mas, a nível pessoal, sinto que consegui reverter meu tempo para ser bastante produtiva e colocar esse momento ao meu favor. Talvez eu não consiga fazer meu mestrado, mas estou tentando não me preocupar com isso agora e tentando focar no meu momento presente e no que posso fazer durante esse tempo.

[submitted on 5/24/2020]

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L.D.R., 35, a marketer from Rio de Janeiro, Brazil

“…Quando se depende de um Estado historicamente negligente e corrupto, nos tempos atuais apoiando um lunático como líder, prova-se também a falha na formação básica a sociedade. A vida em quarentena no Brasil é um desastre à beira de um precipício…”

O impacto de uma quarentena em um país sem estabilidade política e social é muito maior. A inegável importância da retirada do Estado na economia se inverte no quadro da pandemia. População, saúde, economia, todos precisam o apoio do Estado. Fica provado que a desestatização ou não alcançou o nível que deveria ou tem erros básicos. Quando se depende de um Estado historicamente negligente e corrupto, nos tempos atuais apoiando um lunático como líder, prova-se também a falha na formação básica da sociedade. A vida em quarentena no Brasil é um desastre à beira de um precipício. Temos muita gente que sabe demais mas pouca solução aplicada. Não há segurança na educação, na saúde, na economia e há excesso de elitismo e superficialidade. O cenário é desencorajador na quarentena e pior para o pós. Famílias sem emprego, empresários falidos, violência e corrupção como opção de renda em todas as classes. A vida em quarentena no Brasil são férias antes de suicídio coletivo. Pessoalmente todos os meus planos estão parados. Muitos estão como eu pegando seus dinheiros e deixando em reservas com melhor liquidez, para urgência de uso. Entende-se que no primeiro dia de final da quarentena, que não se sabe quando, abrirá uma porteira com bois desesperados num pasto seco. A sensação da quarentena no Brasil é menos pela doença, que é contornada com bom senso e higiene. O pior não é a doença, mas a recuperação (ou não).

[submitted on 5/19/2020]

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I.Q., 57, a realtor from Rio de Janeiro, Brazil

“Na familia de minha esposa, ocorreram casos da doença, irmão, cunhada e minha enteada, todos com sintomas brandos sem necessidade de internação…”

Particularmente não tive a doença, pelo menos não os sintomas mais característicos dela. Na minha família também não tive casos e todos estão seguindo as normas de proteção, isolamento e na necessidade de sair, uso de máscaras de proteção. Eu saio pelo menos 2 vezes ao dia para levar o cachorro para passear. Moro na Barra da Tijuca onde temos um bosque que limita o número de pessoas passiveis de contato. Na familia de minha esposa, ocorreram casos da doença, irmão, cunhada e minha enteada, todos com sintomas brandos sem necessidade de internação. Com exceção de minha enteada, os outros ainda estão se tratando em casa. Quanto ao trabalho, tanto eu como minha esposa estamos em home office sem maiores problemas.

[submitted on 5/15/2020]

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G.S.S., 26, a student from Rio de Janeiro, Brazil

“…Pessoas conhecidas pegaram. Essas pessoas, além dos sintomas do covid, tiveram outros pelo nervosismo, tiveram que tomar ansiolítico pra poder se acalmar pq estavam com medo de morrer. Essa doença meio que parou as nossas vidas, eu pretendo me formar até o meio do ano e msm assim não vou ter colação e nem formatura…”

Tá sendo uma época difícil, saímos de casa com medo, só saímos de carro, com máscara, o mais rápido possível e tentamos sair poucas vezes, saímos basicamente pra comprar coisas pra casa e voltamos. Pessoas conhecidas pegaram. Essas pessoas, além dos sintomas do covid, tiveram outros pelo nervosismo, tiveram que tomar ansiolítico pra poder se acalmar pq estavam com medo de morrer. Essa doença meio que parou as nossas vidas, eu pretendo me formar até o meio do ano e msm assim não vou ter colação e nem formatura, pelo menos não por enquanto, mas o principal agora é em ficar em casa e aguardar tudo se “normalizar” pra não se colocar em perigo e nem as pessoas que amamos em risco.

[submitted on 5/14/2020]

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J.W.T., 44, a professor from Teresina, Brazil

“O nosso presidente, Jair Bolsonaro, é um necrófilo consumado, um dublê de tirano sem o talento para tal, e sua necropolítica em relação à Covid-19 consiste simplesmente em rechaçar a voz da ciência, minimizar o valor das vidas perdidas e pregar o término da quarentena a fim de salvar a pele do empresariado que financiou sua campanha à presidência.”

Estou vivendo esta pandemia dividido entre o sentimento de excitação e pânico. Excitação pela consciência de quem estou imerso em um momento histórico, que me proporciona especulações, que me lança a reflexões e leituras, que me permite observar o comportamento humano em uma situação-limite. Pânico, no plano coletivo, pela morte de pessoas, pela crise econômica mundial; no plano individual, pela preocupação com meus próximos, especialmente meu pai e meus dois filhos. Meu pai por ser um senhor de mais de 60 anos que, pelo histórico de vida e pela profissão de comerciante, não consegue ficar parado; na região em que ele mora, na zona sudeste de Teresina, li semana passada que havia 160 casos da Covid-19. Como ele sai todos os dias e todas as horas (não importa se tenha algo para fazer, ele simplesmente não consegue ficar parado em casa), o risco de adquirir e transmitir a doença é enorme. A família liga diariamente para ele, filhos e netos, mas ele diz sempre a mesma coisa: que está bem e se cuida com muito rigor. Devido a este comportamento dele, nós filhos (somos 4) decidimos retirar nossa mãe da casa e levá-la para nossas casas num sistema de rodízio – ela vivendo uma semana ou mais em cada casa de filho. Quando aos meus filhos, um casal de adolescentes, sendo que um vive comigo e outro com minha primeira esposa, o meu medo é desestímulo, obesidade (em um deles) e depressão.

Por temperamento e por profissão, nunca vi a solidão e o confinamento como um entrave ou uma punição. Amo ler, ouvir música, pesquisar, escrever, pensar. Mesmo em tempos normais, preciso de umas 3 horas por dia a sós para manter meu equilíbrio interno. Levo a sério duas máximas que li na juventude, uma de Sêneca e outra de Nietzsche. Sêneca me ensinou que a saúde mental e o equilíbrio interior dependem de uma boa dosagem entre vida retirada e vida social; é sábia a variação, uma equilibra e corrige a outra. Nietzsche observa que escravo é todo aquele que não tem direito a um terço do seu dia para fazer o que gosta, se retirando do burburinho da vida cotidiano. Cada um a seu modo, os dois pensadores predicam um equilíbrio que, obviamente, foi rompido. Porém, tal ruptura por enquanto não me afetou, porque a vida retirada para mim é aventura: permite-me a distância necessária para pensar, e pensar é uma forma de prazer. Às vezes me indago quão esquisito ou até egoísta eu sou, quando vejo pessoas inquietas, desesperadas, mal-humoradas com esta quarentena, enquanto, do ponto de vista estritamente individual, estou saudavelmente bem. Sinto falta das aulas e dos alunos, das caminhadas e idas ao cinema com minha esposa, do futebol (na TV e no campo com os amigos) e dos pubs e botecos – mas nem de longe esta falta está me desequilibrando. O pânico vem quando, em minhas especulações, vislumbro que práticas como ir ao cinema e jogar uma pelada com os amigos podem estar ameaçadas por muitíssimo tempo, mesmo após o fim da quarentena. Porém, não deixo tais especulações me abaterem. Prefiro esperar.

Meu isolamento e da minha família tem sido rigoroso. Só saímos, de raro em raro, para fazer compras. Nestas horas, sinto-me como se estivesse numa narrativa de ficção especulativa. Lembro de filmes como Os Pássaros, Ensaio sobre a Cegueira, 4: 44 – Último Dia na Terra, Fim dos Tempos e Eu Sou a Lenda, bem como de narrativas como as de Camus e Orwell. Tento refrear estes pensamentos fantasiosos e esteticistas da realidade, porque sei que o pânico é, em grande parte, real, tem gente sofrendo, inclusive eu quando penso no meu país e nos meus próximos. Por duas vezes, peguei o carro e por longo tempo percorri a cidade, suas ruas e bairros, num sentimento vago de preocupação e nostalgia. Por duas vezes, também, recorri a essa linguagem universal dos desesperados, a esse refúgio último do Amor quando as estratégias da razão não sustentam a estrutura do real – a oração.

Dificilmente haverá povo no mundo que esteja sofrendo este momento histórico como o brasileiro. Estamos numa crise de saúde dentro de uma crise política sem precedentes nos últimos tempos, fora o fato de estarmos vivendo uma cisão política entre extremos à direita e à esquerda raramente visto em nossa história, que propicia toda forma de irracionalismo que se possa imaginar. O nosso presidente, Jair Bolsonaro, é um necrófilo consumado, um dublê de tirano sem o talento para tal, e sua necropolítica em relação à Covid-19 consiste simplesmente em rechaçar a voz da ciência, minimizar o valor das vidas perdidas e pregar o término da quarentena a fim de salvar a pele do empresariado que financiou sua campanha à presidência.

[submitted on 5/11/2020]

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M.R., 46, an astrologer from Rio de Janeiro, Brazil

“A impressão que tenho é que nada mais será como antes, os valores mudam com o confinamento, as prioridades também…”

A impressão que tenho é que nada mais será como antes, os valores mudam com o confinamento, as prioridades também. Sempre fui mais anti social, ou assim achava, mas hoje que não posso estar com as pessoas vejo que sinto muita falta, pela internet, todo encontro fica tão frio… Outra restrição que sinto é o acesso a natureza, como sinto falta do sol, da praia, de pisar na grama… Acho que pouco a pouco vamos nos conscientizando sobre o que realmente importa, nunca mais vamos olhar a natureza ou nossos amigos e familiares da mesma forma, isso é muito bom. Na nossa vida, de hoje em diante, saberemos avaliar melhor o que é realmente essencial.

[submitted on 5/12/2020]

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M.E.C., 22, a student from Aracaju, Brazil

Muitas pessoas, incentivadas pelo presidente Bolsonaro, não levam a sério a situação e sinto muita insegurança aqui. Vejo que o caos é ainda pior para a população mais pobre, vez que além da falta de informação, em muito lugares não tem nem acesso a água encanada.

Aqui no Brasil tem sido bem complicado, poucos lugares estão levando a sério a pandemia pois ainda não chegamos no pico do crescimento. No meu estado, que é o menor do país (Sergipe) o número de mortes está em aproximadamente 2000 e os serviços não essenciais continuam funcionando. No meu caso em particular, saio pra trabalhar com medo todos os dias, usando máscara e me protegendo como dá!

Muitas pessoas, incentivadas pelo presidente Bolsonaro, não levam a sério a situação e sinto muita insegurança aqui. Vejo que o caos é ainda pior para a população mais pobre, vez que além da falta de informação, em muito lugares não tem nem acesso a água encanada. O país enfrenta além da pandemia uma enorme crise política, que chega a tomar o lugar do COVID 19 nos noticiários. Dias piores estão por vir.

[submitted on 5/11/2020]

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R.G., 60, a saleswoman from Rio de Janeiro, Brazil

“Sou um dos 5 filhos de um casal de idosos, que pertencem a grupo de alto risco. Inclusive eu. Precisando ir trabalhar na rua, de vez em quando, pra não perder o emprego…”

Sou um dos 5 filhos de um casal de idosos, que pertencem a grupo de alto risco. Inclusive eu. Precisando ir trabalhar na rua, de vez em quando, pra não perder o emprego. Tenho 60 anos, apesar de aposentada com 70% por tempo de contribuição, não posso perder essa fonte de renda, pois apesar da ajuda de irmãos, as despesas com medicamentos com meus pais é absurdamente alta.

A ansiedade vivida por toda essa insegurança é muito triste. A depressão vinda em decorrência é muito grande. A doença senil de meu pai foi absurdamente acelerada. A impaciência de minha mãe aumentou. A minha depressão aumentou ainda mais.

[submitted on 5/11/2020]

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T.V., 33, an event promoter and pet sitter from Rio de Janeiro, Brazil

“…trabalho diretamente com animais e também como produtora cultural […] Ambas áreas afetaram meu dia-a-dia de trabalho e no momento estou sem nenhum trabalho…”

Trabalho diretamente com animais e também como produtora cultural. Ambas áreas afetaram meu dia-a-dia de trabalho e no momento estou sem nenhum trabalho. Venho buscado estudar e ler mais sobre os assuntos que eu costumo lidar no trabalho e em paralelo continuo com meu trabalho voluntário, também com animais. Iniciei Meu trabalho como passeadora de cães faz 3 anos, quase 4, como petsitter há muitos anos, ainda na faculdade. Já tenho 12 anos de formada. Trabalhei como produtora cultural ainda na faculdade e até uns 4 anos atrás. Hoje sou passeadora de cachorro e faço alguns trabalhos de produção como freelancer.

[submitted on 5/11/2020]